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Tavern Brawl - Entrevista: Gustavo Nader

Durante a Tavern Brawl, conversamos com o diretor de dublagem dos jogos da Blizzard aqui no Brasil. Saiba mais!

No último Sábado o Tavern Brawl agitou os fãs de Hearthstone em terras cariocas. O evento reuniu quizes, sorteios, palestras, o famoso encontro Fireside e também com um torneio profissional. Uma das grandes atrações era o ilustre Gustavo Nader, dublador e diretor de dublagem de franquias de peso, como Hearthstone e muitas das suas expansões. Com o recém lançamento de Projeto Cabum e da nova expasão de World of Warcraft: Battle for Azeroth, tivemos a curiosidade de saber sobre como é trabalhar no universo da dublagem e localização, e ninguém melhor para responder isso do que o próprio. Tiramos alguns minutinhos para papear com ele e a conversa foi interessantíssima. Quer saber como foi?

Primeiramente Gustavo, obrigado por nos receber com tanto carinho. É um prazer estar com alguém tão importante para o cenário brasileiro de dublagem. Estamos felizes por este momento.

Hearthstone é um dos filhos da franquia Warcraft. Outro jogo dessa mesma franquia, ganhou uma nova expansão recentemente. É claro que estamos falando de World of Warcraft. Você dirigiu e também dublou Battle for Azeroth, seria necessário ser um dragão da revoada bronze (responsáveis pelo controle e equilíbrio do tempo na fantasia do jogo) para administrar esse turbilhão de conteúdo?

*risos* As melhores perguntas de sempre! Primeiro é um prazer estar aqui conversando com vocês. [Mas sobre a pergunta], é necessário sim porque eu não dirijo só isso. Eu dirijo outros projetos também. Eu acho que meu compromisso com o projeto tem que ser total. Se for pra fazer o projeto, eu prefiro fazer ele por inteiro, ou na sua quase totalidade porque um só diretor facilita muita coisa. Por exemplo, eu dirijo World of Warcraft há 9 anos, desde um dos patchs do Cataclysm. Ele já havia sido localizado quando eu entrei. Quando comecei a trabalhar dirigindo a dublagem da Blizzard, nesse caso, eu comecei com Diablo III. Então eu fiz o Diablo III, e na época o World of Warcraft já tinha sido feito até, se não me engano o patch 4.2, então foi aí que a equipe foi fazer o 4.3 comigo [na direção].

Dirigi até o 6.0, que foi o Patch da Horda de Ferro em Mists of Pandaria, depois fui contratado por uma empresa de tradução e localização, fiquei fazendo Overwatch, Sniper Elite 4, entre outros trabalhos. Daí essa empresa foi comprada e eu fui junto. [Depois] retornei fazendo World of Warcraft durante o patch 7.0 de Legion. Então assim, eu acho melhor porque o mesmo diretor sabe tudo o que está acontecendo, ele tá acostumado a trabalhar com certos atores e eles estão acostumado a trabalhar com eles…

Gustavo Nader
Gustavo Nader

Battle for Azeroth ultrapassou a marca de 3 milhões e 400 mil cópias vendidas em menos de uma semana, um recorde do MMORPG mais popular do mundo. Logicamente os brasileiros têm participação significativa nos números. Na perspectiva do Gustavo Nader profissional, e do Gustavo Nader jogador, como é a sensação de fazer parte deste universo que mesmo depois de 10 anos de existência leva fãs à loucura?

Eu vou começar falando profissionalmente de uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos. O MMORPG tem o ciclo vital dele de 5 anos. Ele nasce cresce e morre em 5 anos. World of Warcraft tem mais de 12 anos. E o que acontece com ele? Ele faz parte de uma franquia que… [Antes disso], eu acredito muito que você pode oferecer como profissional três coisas, mas o cliente só pode levar duas. Elas são: Qualidade, preço e velocidade. Se você tem qualidade e velocidade, seu preço nunca vai ser “o melhor”, mas o seu produto vai. De uma perspectiva profissional, World of Warcraft é totalmente ponto fora da curva! Ele, exclusivamente, manteve a Blizzard por alguns anos. Eles pretendiam alcançar uma meta de jogadores em 5 anos e, no final das contas, em 6 meses eles já tinham. Então assim, se parar pra pensar, participar de um acontecimento desse é uma honra, é um prazer, é sagrado.

Eu lido com minha profissão e ela pra mim tem duas palavras, que são: Sacrifício, o fazer sagrado; e a vocação, que é o teu chamado. Então tenho que fazer o melhor trabalho sempre, obsessivamente e compulsivamente. Já teve vezes que e eu fiz a fala, não gostei, e o dublador teve que refazer. Eu só entendo o profissional assim e, poder trabalhar para uma empresa dessas, [tem que ser] assim. Não consigo imaginar um outro modo. Só para você ter uma ideia, sei que estamos falando de World of Warcraft mas, Diablo III tem 98% de comentários positivos sobre a dublagem dele no próprio fórum da Blizzard. É um conceito de trabalho que você fala “Cara! Aquilo ali existe!”. Tive amigos meus da dublagem que participaram do processo que falaram “Cara! Eu sei que era o Orlando Drummond, eu sei que era o Mauro Ramos, mas não dá ligar o nome a pessoa, sabe como é?”. A imersão na obra é o critério quase que absoluto e isso faz de mim alguém muito feliz. [Ter a oportunidade] de trabalhar com profissionais desse gabarito. É uma honra.

Gustavo Nader na Tavern Brawl
Gustavo Nader na Tavern Brawl

E como jogador?

Pela Aliança, em primeiro lugar! Como jogador… quando eu era moleque, eu via uma série do Homem-Aranha na TV que era muito ruim. Ele tinha um chroma key horroroso [e pra piorar] o cara escalava as paredes. Eu assistia aquilo e pensava “Um dia eu quero participar disso”. Eu nem trabalhava com dublagem ainda. Quando eu comecei a militar na dublagem, depois consegui entrar na dublagem de jogos eletrônicos… ah foi um orgulho… um privilégio.

Não sei nem o que posso falar, sabe? O que eu posso falar pra você de quando fui fazer Overwatch? De quando fui fazer Diablo III, World of Warcraft? Hearthstone? Não tem o que falar, sabe? Isso eu tô falando só da Blizzard, fora as outras coisas que dirijo. Fazer parte disso é indescritível. Vai além das palavras. Sabe quando você entra no estúdio, faz a fala [do personagem] e o seu olho passa a brilhar? Aí você vê que a parada tá certa! “Funciona” - você pensa. Quando eu entro no estúdio preciso fechar os olhos e aquilo tudo precisa fazer sentido. Se aquela frase não fizer sentido, ela não pode estar no jogo. Entendeu? Esse é o primeiro critério. Gosto do meu trabalho.

Battle for Azeroth reavivou o antigo conflito da Horda x Aliança e trouxe à tona ameaças que estavam adormecidas há muito tempo. Revele aqui para nós, de qual lado você está? Podemos esperar ainda mais surpresas desta expansão?

Uma coisa que eu aprendi na vida é que assim, a Horda ela está vindo de um outro lugar. Quando você está vindo de outro lugar e precisa se estabelecer, não pode ser pelo meio da imposição. Entende? É como se você fosse contratado por uma empresa, fosse o mais jovem repórter de lá, quisesse bater no editor chefe só porque ele não quis publicar a matéria do jeito que você queria. É como se ele pedisse pra fazer uma matéria sobre jogos e o repórter faz uma sobre carros antigos. Então isso pra mim é “a coisa”. Numa guerra, como essa que acontece durante tantos anos em Azeroth, ela não tem um lado que tá certo. Porque guerra tem um problema muito grande. Ela separa famílias, ela destrói lares. Uma outra coisa é que eu acho que esse acirramento de conflito da Horda e Aliança se deve muito por uma escolha, aí uma opinião minha tá? O que a Blizzard fez foi tornar aquilo verídico.

Porque assim,  na guerra você morre. Não é possível que você tenha um rei por muito tempo como o Varian, que durou tanto, por exemplo. Entendeu? Numa guerra você perde um olho, você perde uma cidade inteira, perde filho… *respira fundo*. Não existe lado certo. [Não faz sentido] esperar que um lado esteja mais certo e o outro mais errado. É também muito subjetivo. Sylvana queimou a Teldrassil! Ela tem uma rota de destrutividade grande. É diferente do Garrosh, que era um cara que mesmo querendo ver o circo pegar fogo, tinha um planejamento, um ideal, uma estratégia. Eu não consigo enxergar isso na Sylvana. Eu só consigo ver caos.

Sylvanas e a Árvore de Teldrassil
Sylvana e a Árvore de Teldrassil

Ela perdeu muito na vida dela, como os jogos, livros e as animações mostraram. Ela se sente usurpada por terem tirado o direito do passado élfico que ela tinha. Ela se tornou uma morta viva, mas ela não queria estar ali. Na vida da gente, vemos pessoas que tem sensações de perda a vida inteira. [O resultado disso é que elas] querem fazer com que as outros indivíduos ao seu redor também percam algo o tempo inteiro. Ela perdeu tudo, então ela tem que fazer todo mundo perder tudo. Ela é incapaz de enxergar a chama da esperança. Quanto a novidades? Vamos ter! *piscadinha*


A dublagem está possibilitando que milhares de jogadores entendam universos por completo. Ela permite que todos entendam aquilo que veem por meio da localização. Como Gustavo deixou claro, é gratificante ver que o trabalho dele está sendo reconhecido e saber que sua pessoa faz parte deste universo. Nader também deixou claro além de profissional é um jogador assíduo, declarando publicamente seu favoritismo pela facção Aliança em World of Warcraft. Estamos certos de que mesmo com tantos conflitos e reviravoltas impressionantes, Battle for Azeroth ainda tem muito o que apresentar. O que será que nos espera por aí?

A primeira edição do Tavern Brawl aconteceu no Rio de Janeiro na unidade Centro da ESPM. A inicitativa foi realizada pelas organizações eSports Cups, e-FERJ e pelo grupo Híbrida da ESPM, contando com o apoio da Red Bull, Quero Preço, Studio D, entre outros.


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Levou seu amor por games tão adiante que fez disso sua profissão. Manja das artes ninjas do design e é considerado o maior tiozão da taverna. O deck de Murloc sempre será o melhor. Acredita fielmente que Saurfang é chefe guerreiro que a Horda merece