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E se o conjunto Clássico saísse do modo Padrão? (Parte 1)

Confira a primeira parte desta análise do conjunto Clássico!

O que aconteceria com o modo Padrão se o conjunto Clássico rotacionasse e deixássemos apenas o conjunto Básico fixo no formato? Neste artigo iremos ver quais as vantagens e desvantagens disto acontecer, além das consequências da saída de tantos cards do formato.

O IMPACTO DO CLÁSSICO

Primeiramente vamos dar uma olhada nos cards mais importantes que estariam saindo do meta e como isso iria impactar a identidade de cada classe:

Druida

O Druida iria perder alguns cards que mantém ele como uma classe tier 1 ou 2 em praticamente todo meta desde o lançamento do modo Padrão. Cards como Poder da Selva, Alma da Floresta e Nutrir são cards que definem a classe e normalmente restringem sua identidade a dois arquétipos: Druida Ramp ou Token. O primeiro é definido por cards que aceleram os Cristais de Mana e o colocam muito a frente do seu oponente: Enquanto seu oponente está ainda nos primeiros estágios da partida, o Druida já está jogando seus cards de custo altíssimo. O segundo arquétipo é baseado em criar uma vantagem em campo, enchendo o campo com vários lacaios pequenos para derrotar o oponente em um único ataque com ajuda de cards que concedem mais ataque aos lacaios. E o que esses dois arquétipos tem em comum? Simples, pouquíssima interatividade com o oponente tendo em vista que eles tentam executar o mesmo plano independente do oponente que estiverem jogando contra. Mas calma, não estamos falando em extinguir estes arquétipos, estamos falando em talvez criar recursos com um nível de poder menor e que não sejam tão flexíveis como é caso de Nutrir. Naturalizar é outro card que sairia do formato e, apesar de não ser um card muito forte, ele traz com ele uma mecânica nada popular entre os jogadores: Queima de cards. A própria Blizzard já falou sobre esta mecânica e o quão ruim ela é para o jogo, não é a toa que cards como Oráculo da Luz Fria foi rotacionado para o Hall da Fama por este motivo.

Caçador

Apesar do conjunto clássico do Caçador não apresentar nenhum problema grande para o meta, com a saída de segredos como Armadilha Congelante e Armadilha Explosiva abre-se novas possibilidades para a criação de segredos tão fortes quanto estes. Além disso, temos a saída de cards como Arco Hastáguia e Soltem os Cães o que irá desafogar um pouco a curva de mana no custo 3 possibilitando novos cards serem utilizados neste custo. Isso é positivo no ponto de vista de uma renovação da classe a cada expansão, pois é bem difícil cards novos competirem com o nível de poder destes cards. Outro card é a tão incônica Jubalta da Savana que irá abrir espaço para outros cards de custo 6 passarem a ver jogo. Resumindo, o maior ponto positivo para a rotação no Caçador seria a possibilidade de novos cards terem a chance de ser utilizados, por não competirem com outros cards muito fortes no mesmo custo.

Mago

Mago seria uma das classes que perderia mais cards poderosos. Moreia de Mana (Apesar de já ter sido nerfada), Aprendiz de Feiticeiro, Maga do Kirin Tor, Entidade do Espelho, Contrafeitiço e Ignimpacto são todos cards que possibilitavam o arquétipo Tempo ou agressivo e com a saída destes cards o Mago iria depender das novas expansões para que fosse possível a volta deste arquétipo. Isso é totalmente saudável para o meta, pois este também é um arquétipo com pouquíssima ou nenhuma interatividade. Seu plano é simplesmente pressionar o oponente com lacaios e segredos nos primeiros turnos da partida e finalizá-lo com feitiços de dano direto ao heroi inimigo. Além disso, a Aprendiz de Feiticeiro junto ao Arquimago Antônidas sempre será um combo à espreita para dominar o meta, ou seja, estes dois cards restringem muito o design de feitiços de custo baixo ou feitiços que criem cópias de lacaios. Serão sempre uma preocupação sem solução. E por último e não menos importante, temos a Nevasca que não é um card que foge dos padrões, porém é mais estímulo para o surgimento de decks com pouca interação. Um exemplo disto é o Mago Congelante que se manteve no meta por bastante tempo, tempo o suficiente para ser um dos decks mais odiados do Hearthstone, pelo fato do seu plano ser apenas sobreviver o máximo até conseguir finalizar seu oponente com vários feitiços num único turno. Decks como esse, apesar de difíceis de pilotar e que demandam muito treino, tornam o meta muito polarizado, pois a resposta natural à esses arquétipos são decks hiper agressivos que buscam finalizar o jogo até o turno 5 ou 6. E isso vemos que acontece até hoje no meta.

Paladino

Paladino é outra classe que não possui um conjunto Clássico muito poderoso, porém podemos citar dois cards que são muito utilizados e que seria muito bom vê-los fora do meta para abrir espaço para novas possibilidades. O primeiro card seria Igualdade, um card que é utilizado em praticamente todo e qualquer deck de Paladino que possa utilizá-lo, desde decks de controle até decks agressivos. Igualdade é um card bem flexível apesar de sua habilidade ser a mesma sempre, o que muda são as situações em que é utilizada. Em decks de controle ela é geralmente acompanhada do Piromante Selvagem ou Consagração para ser utilizada no mesmo turno e limpar o campo inteiro do oponente. Nos decks agressivos geralmente é utilizado para passar por lacaios com provocar com muita vida e trocar de igual por igual com lacaios bem pequenos para que o restante de seus lacaios consigam atacar o heroi inimigo e provavelmente finalizar a partida. O segundo card é o Favorecimento Divino que, diferente da Igualdade, só é utilizado em um único tipo de deck, decks hiper agressivos com muitos cards de custo baixo. Neste tipo de deck o Favorecimento Divino consegue a façanha de comprar entre 4 e 6 cards com muita facilidade contra decks mais lentos e isso torna esse card um perigo constante no meta, pois novamente estimula o surgimento de decks nada interativos. Não poderíamos deixar de mencionar também o Tirion Fordring, que é um lacaio extremamente forte em um meta em que o Paladino for viável, porém não é um lacaio que cria problemas a nenhum meta. Por último, quero comentar um pouco sobre seus segredos que por um tempo foi um dos arquétipos mais fortes do Paladino e hoje encontram-se esquecidos. Seria bom vermos uma melhor exploração desta mecânica para a classe, contanto que não passassem dos limites. Talvez alguma mecânica que diminuísse a punição por comprar seus segredos, algo como Príncipe Liam mas que afetasse também sua mão.

Sacerdote

Para o Sacerdote teríamos algumas grandes perdas: Círculo de Cura, Fogo Interior e Profeta Velen. A saída do Fogo Interior seria bom para o meta, pois deixaríamos de ter o combo com Espírito Divino todo o meta e isso acaba mudando um pouco a identidade da classe e obriga os jogadores a buscarem novos arquétipos. Círculo de Cura em si não é um card tão forte, porém ele possui uma sinergia bem forte com a Clériga da Vila Norte e consegue comprar uma quantidade absurda de cards e isso é abusado muito em decks de combo pouco interativos como por exemplo o Sacerdote Meca'thun que quer comprar o deck todo o mais rápido possível para ganhar o jogo. É o mesmo caso do Profeta Velen que é um card que nunca foi utilizado para nada além de finalizar o oponente com algumas cópias de Impacto Mental e Punição Sagrada, ele também torna qualquer card de reviver lacaios ou diminuir o custo de cards na mão em possíveis problemas para o meta e isso novamente restringe o design de novos cards. Apesar disso tudo, o conjunto Clássico e Básico do Sacerdote são bem fracos quando comparados às demais classes.

Ladino

Seria outra classe a perder vários cards icônicos e que eclipsam muitos cards que surgem nas novas expansões para o Ladino, simplesmente porque não são tão poderosos quanto. Preparação, Sangue Frio, Eviscerar, Agente da AVIN e Edwin VanCleef são cards que praticamente todo meta fazem parte de algum ou até todos os arquétipos de Ladino. Isso torna a classe super previsível e leva a um mesmo plano de jogo, que normalmente se revela no Ladino Milagre ou alguma versão bem parecida. Com a saída destes cards será como a criação de uma nova classe: o Ladino que não segue o mesmo plano de jogo em anos. Além disso, a Preparação é um card que restringe absurdamente a criação de feitiços muito fortes para a classe, pelo vantagem se serem utilizados muito cedo ou junto a outros cards de custo alto. A saída destes cards seria excelente para se criar um meta mais saudável e abrir novas possibilidades na criação de cards para a classe.

Xamã

O Xamã em particular acho que não possui nenhum cards problemático, talvez o RaioEstouro de Lava e Martelo da Perdição sejam cards que constrigem a criação de cards muito agressivos, pois depois do meta com Trogg do Túnel e Tolem Totêmico a Blizzard nunca mais reviveu este arquétipo na classe. Porém, o restante dos cards não possuem um nível de poder tão alto, não é a toa que o Xamã foi por muito tempo umas das piores classes no jogo. Ao meu ver, uma mudança total de identidade é o que a classe precisa, talvez focar mais em sinergias com seu poder heroico seja o caminho certo, tornar seu poder heroico mais relevante como eles tentaram com cards como Tempestário Cortavento e Criatura das Profundezas que dá um novo objetivo a ele. Tempestade de Raios é outro cards que vemos ser utilizado tanto em decks de controle quanto em decks agressivos para lidar com o campo do oponente, porém ele não é tão problemático quanto a Igualdade que comentamos antes por conta da Sobrecarga que o torna pior em decks que jogam pelo tempo. Este card acaba forçando um turno fraco que você não consegue desenvolver tanto o campo e isso faz com que o card tenha de ser utilizado com muita cautela.

Bruxo

O Bruxo em particular também não é uma classe que possui cards muito forte no conjunto Clássico, porém cards como Diabrete das Chamas e Demonarca são cards que possibilitam o arquétipo agressivo Zoo que permanece no meta desde a versão Beta do jogo e isso não é nada saudável para um cardgame. Qualquer deck que, desde a criação do jogo até quase cinco anos após, se mantém entre o Tier 1 e 2 é no mínimo preocupante. Não que seja um deck extremamente opressor, mas isso fere a diversidade do meta e faz com que o lançamento de novos expansões percam um pouco do sentimento de renovação total do jogo. Apesar disso, existem também cards saudáveis no Bruxo como Espiral Etérea e Sifão da Alma, mas são cards que podem ser facilmente substituídos em novas expansões por não serem cards com efeitos únicos. A saída deles não afetaria os futuros arquétipos de controle pois a cada nova expansão vemos novas ferramentas para esse tipo de deck. O mesmo serve para o Lorde Jaraxxus que, apesar de um card icônico, temos visto outros cards de heroi tão fortes quanto ou até melhores, como é o caso do Gul'dan, o Furtassangue.

Guerreiro

O Guerreiro também não é uma classe muito forte no Clássico, possui alguns cards que são muito utilizados tanto nos arquétipos de controle quanto nos arquétipos Tempo, mas nada que preocupe muito. Provavelmente cai na mesma categoria que o Caçador: A saída do Clássico abre novas possibilidades de arquétipos para a classe tendo em vista que ele perde seu pacote de lacaios agressivos que tiram valor de efeitos de Redemoinho (Berserker Espumante e Grommash Grito Infernal) e perde uma parte da base de todo e qualquer Guerreiro Controle (Escudada e Briga). Isso força a criação de novos cards diferentes para este arquétipo, ou melhor, a criação de novos arquétipos bem diferentes, que não apenas sinergias com armadura e lacaios feridos. Apesar disso tudo, acho que o Guerreiro também não adiciona em nada nos problemas que o Clássico traz para o formato Padrão, porém ele também não iria sofrer tanto com a rotação do conjunto. A maior parte dos seus cards são pouco utilizados e não possuem nenhum efeito único ou muito importante.

Neutro

Eis aqui provavelmente a maior parte dos problemas do conjunto Clássico, até porque eles constituem quase metade do conjunto. Vamos focar apenas nos lacaios que tem sido problemáticos durante a maior parte da existência do modo Padrão, começando pelos lacaios com Investida, mais precisamente, Leeroy Jenkins. Este é um card que já sofreu nerf (De 4 para 5 manas) e mesmo assim continuou sendo utilizado em praticamente todos os decks agressivos como uma maneira de finalizar o jogo sem que seu oponente consiga interagir de muitas maneiras(Além de lacaios com Provocar). Sem contar os inúmeros combos que já existiram onde o Leeroy Jenkins era o protagonista. Em uma entrevista que fiz com um dos desenvolvedores de Hearthstone, ele próprio mencionou que estão tentando fugir um pouco de lacaios com Investida e ir em direção a lacaios com Rapidez, pelo fato da pouca interatividade que a habilidade estimula. Existem outros lacaios com Investida no Clássico, mas nenhum deles é tão utilizado quanto o Leeroy Jenkins e isso tem se mostrado uma preocupação para o bem estar do meta atual e dos próximos que virão. 

Em seguida temos outros dois cards que chamam muita a atenção: Draco do Crepúsculo e Gigante da Montanha. Estes dois lacaios tem sido o alicerce de um dos arquétipos que também existe desde o início do jogo, o Bruxo Mão(Mais conhecido como HandLock). Este arquétipo utiliza a vantagem do poder heroico do Bruxo para comprar cards nos primeiros três turnos do jogo para no turno 4, enfim, jogar o Draco do Crepúsculo ou Gigante da Montanha e assim ter um lacaio imenso e muito difícil de ser removido ainda no início do jogo. Esse arquétipo tem se tornado um problema maior desde o lançamento de Bosque das Bruxas que trouxe o Genn Greymane para o meta e tornou possível uma nova versão deste arquétipo, agora apenas com cards de custo par porém com seu poder heróico custando apenas 1 mana. A consistência do deck tem preocupado os jogadores profissionais, pois com a próxima rotação este deck irá perder alguns cards mas tanto o Genn Greymane quanto o Draco do Crepúsculo e Gigante da Montanha irão continuar. Tendo isso em mente, é possível que mesmo com a rotação continuemos com este arquétipo dominando na ranqueada e isso fere novamente aquele sentimento de renovação do jogo com um novo meta.

Seguindo adiante, vamos falar de uma mecânica que está disponível para todas classes e em todos os metas do modo Padrão: Silenciar. Isso porque no conjunto Clássico temos dois lacaios neutros que fazem esta habilidade, a Coruja Bico-de-ferro e o Quebra-feitiço. Esta é uma habilidade que deveria ser limitada a algumas classes como, por exemplo, o Sacerdote e o Xamã, pois é uma habilidade que está muito banalizada no formato e isso faz com que alguns lacaios com habilidades poderosas não consigam fazer parte do meta. A habilidade de Silenciar não é o problema em si e sim, sua banalização por poder jogar em todo e qualquer deck sem nenhuma punição. O próximo lacaio da lista seria o Leiloeiro de Geringontzan, um lacaio que já foi cogitado várias vezes para ser movido para o Hall da Fama e que desde sempre possibilitou jogadas que, na sua maioria, não envolvem interação com o oponente e nem precedem alguma jogada justa. Resumindo, o Leiloeiro de Geringontzan habilita muitos combos unilaterais. 

Antes de falarmos da última dupla de cards, quero mencionar o Técnico de Controle Mental e como ele afeta o formato de maneira negativa. Sua habilidade é utilizada para punir decks que desenvolvem muitos lacaios em campo, em sua maioria os decks agressivos. Porém, seu problema está na aleatoriedade de sua habilidade que muitas vezes decide se você ganhou ou perdeu a partida com uma única rolagem de dados. E isso não é divertido em nenhuma situação, pois sempre um dos jogadores irá sair com a sensação de que perdendo ou ganhando aquela partida ele não conseguiu evoluir ou melhorar sua jogabilidade. A decisão da partida estava fora de seu controle. 

Agora vamos falar da nossa última dupla de lacaios: Malygos e Alexstrasza. Ambos os dragões lendários, em sua maior parte, sempre foram utilizados em decks de combos pouco interativos, o primeiro ainda mais que o segundo. Somente isso já seria motivo suficiente para movê-los para o Hall da Fama, mas quando pensamos mais a fundo, vemos que eles também restringem muito o design de cards para novas expansões. Classes como Druida e Ladino que possuem feitiços tais como Fogo Lunar e Golpe Sinistro, praticamente estão proibidos de receber mais feitiços de dano com custo baixo ou cards que consigam diminuir o custo dos cards em sua mão. Sempre isso ocorrer em algum meta, teremos novamente classes tirando valor destes dragões para criar combos unilaterais. E isso sempre será um preocupação tanto para os desenvolvedores quanto para os jogadores.

Espero que tenham gostado desta primeira parte da análise do conjunto Clássico e fiquem ligados para a segunda parte onde irei comentar sobre como seria o novo formato Padrão e tentar trazer alguma solução!

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Jogador profissional e streamer.